O Banoffee Pie, uma sobremesa britânica que harmoniza a doçura da banana com o caramelo (toffee) e a leveza do chantilly sobre uma base crocante de biscoitos, conquistou paladares globalmente. Sua simplicidade e sabor reconfortante o transformaram em um clássico. No entanto, a vasta biodiversidade brasileira nos oferece uma oportunidade única de reinterpretar essa receita, infundindo-a com a exuberância e os sabores vibrantes da Amazônia.
Neste artigo, apresentamos o Banoffee Amazônico, uma versão que mantém a estrutura amada do original, mas eleva a experiência com ingredientes genuinamente brasileiros. A base crocante é complementada por bananas frescas, um doce de taperebá (cajá) que traz uma acidez tropical e um perfume inconfundível, e um creme sedoso de castanha-do-pará, finalizado com um chantilly leve. Nosso objetivo é fornecer um guia completo e detalhado, com instruções precisas e dicas baseadas em anos de experiência culinária, para que você possa criar esta sobremesa sofisticada e cheia de identidade nacional em sua própria cozinha.
A Fusão de Culturas e Sabores: Contexto Histórico e Culinário
O Banoffee Pie nasceu na década de 1970, no restaurante “The Hungry Monk” em East Sussex, Inglaterra. A história conta que o chef Ian Dowding e o proprietário Nigel Mackenzie criaram a torta após experimentarem uma receita americana de “Blum’s Coffee Toffee Pie” e a aprimorarem. A combinação de biscoito, toffee, banana e creme rapidamente se tornou um sucesso e se espalhou globalmente.
No Brasil, a releitura de clássicos internacionais com ingredientes locais é uma tendência que celebra nossa vasta biodiversidade. Para esta versão amazônica, escolhemos três pilares de sabor que representam a riqueza da nossa terra:
Taperebá (Cajá): O Toque Tropical
Conhecido cientificamente como Spondias mombin, o taperebá é uma fruta tropical abundante nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Seu sabor é agridoce, com uma acidez refrescante e um aroma que remete a manga e maracujá. Tradicionalmente usado em sucos, sorvetes e doces regionais, o taperebá substitui o toffee tradicional, adicionando uma camada de complexidade e frescor que equilibra a doçura da sobremesa.
Castanha-do-Pará (Castanha-do-Brasil): A Riqueza da Floresta
A Bertholletia excelsa é uma das oleaginosas mais nutritivas do mundo, nativa da floresta amazônica. Rica em selênio, magnésio, fibras e gorduras saudáveis, a castanha-do-pará possui um sabor amanteigado e uma textura crocante que a tornam um ingrediente versátil. Em nosso creme, ela confere uma riqueza e um sabor terroso que harmonizam perfeitamente com as frutas tropicais.
Banana: A Estrela Doce e Familiar
Uma das frutas mais consumidas no Brasil, a banana é a estrela do banoffee. Sua doçura natural e textura macia são essenciais para a identidade da torta. Para esta versão, bananas maduras, mas firmes, são ideais, garantindo a textura perfeita sem deixar a torta aguada.
A união desses ingredientes não é apenas uma adaptação, mas uma homenagem à riqueza da Amazônia, transformando um clássico em uma experiência gastronômica única e profundamente brasileira.
Ingredientes Selecionados para uma Experiência Inesquecível
A qualidade e a frescura dos ingredientes são fundamentais para o sucesso desta sobremesa.

Para a Base Crocante
- 200 g de biscoito tipo maisena ou de castanha: Triturado finamente. Biscoitos de castanha-do-pará ou de coco podem intensificar o sabor amazônico.
- 100 g de manteiga sem sal: Derretida.
Para o Recheio de Banana e Doce de Taperebá
- 4 a 5 bananas nanicas (prata ou ouro) maduras, mas firmes: Cortadas em rodelas de aproximadamente 0,5 cm.
- 200 g de doce de taperebá: Se não encontrar pronto, pode ser feito com 200g de polpa de taperebá (congelada e descongelada) e 100g de açúcar, cozidos em fogo baixo até reduzir e engrossar.
- Suco de ½ limão (opcional): Para regar as bananas e evitar a oxidação.
Para o Creme de Castanha-do-Pará
- 200 g de castanha-do-pará: Torrada levemente e sem casca.
- 200 ml de creme de leite fresco: Com teor de gordura mínimo de 35%, bem gelado.
- 2 colheres (sopa) de mel de abelha: De preferência um mel suave, para não competir com o sabor da castanha.
- 1 pitada de sal: Para realçar os sabores.
Para a Cobertura e Decoração
- 200 ml de creme de leite fresco: Com teor de gordura mínimo de 35%, bem gelado, para o chantilly.
- 2 colheres (sopa) de açúcar de confeiteiro: Peneirado (opcional, para um chantilly mais doce).
- Raspas de chocolate meio amargo: Para decorar.
- Castanhas-do-pará picadas: Para decorar.
Modo de Preparo Detalhado: Passo a Passo para a Perfeição
A precisão em cada etapa é crucial para o resultado final desta sobremesa em camadas.
1. Preparo da Base Crocante
- Triturar os Biscoitos: Em um processador de alimentos, triture os biscoitos até obter uma farofa fina e homogênea. Se não tiver processador, coloque os biscoitos em um saco plástico resistente e amasse com um rolo de massa.
- Misturar com Manteiga: Transfira a farofa de biscoito para uma tigela e adicione a manteiga derretida. Misture bem com as mãos ou uma espátula até que toda a farofa esteja umedecida e com a consistência de areia molhada.
- Forrar a Forma: Utilize uma forma de fundo removível de aproximadamente 22-24 cm de diâmetro. Pressione a mistura de biscoito e manteiga uniformemente no fundo da forma, formando uma base compacta. Use o fundo de um copo para ajudar a compactar bem.
- Resfriar: Leve a forma à geladeira por, no mínimo, 30 minutos para que a base fique firme.
2. Preparo do Doce de Taperebá (se for fazer em casa)
- Cozinhar a Polpa: Em uma panela pequena, coloque a polpa de taperebá descongelada e o açúcar. Leve ao fogo baixo, mexendo ocasionalmente, até que a mistura engrosse e atinja a consistência de um doce cremoso, semelhante a um doce de leite mais fluido. Isso pode levar de 15 a 25 minutos, dependendo da umidade da polpa.
- Resfriar: Retire do fogo e deixe o doce de taperebá esfriar completamente antes de usar. Ele irá firmar um pouco mais ao esfriar.
3. Preparo do Creme de Castanha-do-Pará
- Processar as Castanhas: Em um processador de alimentos, coloque as castanhas-do-pará torradas. Processe até que as castanhas se transformem em uma farofa fina e, em seguida, continue processando até que liberem seus óleos e formem uma pasta cremosa (quase uma manteiga de castanha). Este processo pode levar de 5 a 10 minutos, com pausas para raspar as laterais do processador.
- Adicionar Líquidos: Com o processador ainda ligado, adicione o creme de leite fresco gelado, o mel e a pitada de sal. Processe até obter um creme liso e homogêneo. Se necessário, adicione um pouco mais de creme de leite para ajustar a consistência, mas o objetivo é um creme espesso.
- Resfriar: Transfira o creme para um recipiente, cubra com filme plástico em contato com a superfície e leve à geladeira por, no mínimo, 1 hora para firmar.
4. Montagem da Torta
- Primeira Camada (Doce de Taperebá): Retire a base da geladeira. Espalhe o doce de taperebá frio uniformemente sobre a base de biscoitos.
- Segunda Camada (Bananas): Corte as bananas em rodelas e, se desejar, regue-as levemente com suco de limão para evitar que escureçam. Arrume as rodelas de banana sobre o doce de taperebá, cobrindo toda a superfície.
- Terceira Camada (Creme de Castanha-do-Pará): Espalhe o creme de castanha-do-pará gelado sobre as bananas, formando uma camada uniforme.
- Resfriar Novamente: Leve a torta montada à geladeira por, no mínimo, 2 horas, para que todas as camadas firmem bem.

5. Preparo do Chantilly e Finalização
- Bater o Chantilly: Em uma tigela bem gelada (pode ser resfriada no freezer por 10-15 minutos), coloque o creme de leite fresco gelado e o açúcar de confeiteiro (se estiver usando). Bata com uma batedeira em velocidade média-alta até obter um chantilly firme e aerado. Cuidado para não bater demais e talhar.
- Cobertura e Decoração: Retire a torta da geladeira. Espalhe o chantilly sobre a camada de creme de castanha-do-pará, usando uma espátula para criar picos ou um saco de confeitar para um acabamento mais elaborado.
- Toques Finais: Finalize decorando com raspas de chocolate meio amargo e castanhas-do-pará picadas.
- Servir: Sirva o Banoffee Amazônico gelado.

Dicas de Cozinha do Chef para o Sucesso
- Biscoitos: Para uma base mais saborosa, você pode usar biscoitos de aveia ou até mesmo biscoitos caseiros.
- Bananas: Escolha bananas que estejam maduras, mas ainda firmes. Bananas muito moles podem deixar a torta aguada. O suco de limão é essencial para manter a cor das bananas.
- Doce de Taperebá: Se não encontrar a polpa, procure por sucos concentrados de taperebá e reduza-os com açúcar para fazer o doce. O ponto deve ser de um doce de colher.
- Castanha-do-Pará: Torrar as castanhas antes de processar intensifica muito o sabor. Faça isso em uma frigideira seca em fogo baixo por alguns minutos, mexendo sempre.
- Chantilly: O segredo de um bom chantilly é usar creme de leite fresco bem gelado e uma tigela também gelada. Isso ajuda a incorporar ar e a manter a estabilidade.
Erros Comuns e Como Evitá-los
- Base Mole ou Quebradiça: Isso ocorre se a manteiga não foi bem incorporada ou se a base não foi compactada o suficiente. Certifique-se de que a mistura esteja bem úmida e pressione firmemente na forma.
- Bananas Escuras: A oxidação das bananas é comum. Regá-las com suco de limão é a melhor forma de prevenir isso.
- Creme de Castanha-do-Pará Granuloso: Se as castanhas não forem processadas o suficiente antes de adicionar os líquidos, o creme pode ficar com textura arenosa. Tenha paciência no processamento inicial.
- Chantilly Talhado: Bater o creme de leite em excesso fará com que ele se separe e vire manteiga. Fique atento ao ponto e pare de bater assim que atingir a consistência desejada.
- Torta Desmontando: A falta de tempo de geladeira entre as camadas é um erro comum. Cada camada precisa firmar para que a torta tenha estrutura.
Variações e Substituições Criativas
- Outras Frutas Tropicais: Experimente substituir o taperebá por doce de cupuaçu, maracujá ou até mesmo goiaba para variar o sabor.
- Base Diferente: Para uma base sem glúten, use biscoitos sem glúten ou uma mistura de farinha de amêndoas e coco com manteiga.
- Creme de Castanha com Chocolate Branco: Adicione chocolate branco derretido e resfriado ao creme de castanha-do-pará para uma versão mais indulgente.
- Toque de Cachaça ou Rum: Uma colher de chá de cachaça envelhecida ou rum no doce de taperebá pode adicionar uma nota aromática interessante.
- Versão Vegana: Substitua a manteiga por óleo de coco, o creme de leite fresco por creme de leite de coco (a parte sólida da lata, bem gelada) e o mel por xarope de agave ou melado.
Armazenamento e Segurança Alimentar
A correta manipulação e armazenamento garantem a qualidade e segurança da sua sobremesa.
- Banoffee Montado: A torta deve ser armazenada em geladeira, coberta com filme plástico ou em um recipiente hermético. Consuma em até 2 a 3 dias. Devido à presença de frutas frescas e laticínios, não é recomendado congelar a torta montada, pois a textura do chantilly e das bananas pode ser comprometida.
- Doce de Taperebá: Se feito em casa, pode ser armazenado em um pote de vidro esterilizado e hermético na geladeira por até 1 semana.
- Creme de Castanha-do-Pará: Armazene em recipiente hermético na geladeira por até 3 dias.
- Higiene: Lave bem as mãos e todos os utensílios antes e durante o preparo. Certifique-se de que todos os ingredientes perecíveis estejam dentro da validade e armazenados corretamente.
Perguntas Frequentes (FAQ)
Posso usar outro tipo de banana?
Sim, bananas prata ou ouro também funcionam bem, desde que estejam maduras, mas firmes. Evite bananas muito moles para não comprometer a textura da torta.
Onde encontro taperebá ou sua polpa?
O taperebá é mais comum nas regiões Norte e Nordeste. Em outras regiões, você pode encontrar a polpa congelada em mercados especializados em produtos regionais ou lojas de produtos naturais.
Posso preparar o creme de castanha-do-pará com antecedência?
Sim, o creme de castanha-do-pará pode ser preparado com até 3 dias de antecedência e armazenado na geladeira em um recipiente hermético.
Como faço para o chantilly ficar firme?
Use creme de leite fresco com no mínimo 35% de gordura, bem gelado, e uma tigela também gelada. Bata em velocidade média-alta até atingir o ponto desejado, evitando bater em excesso.
É possível fazer uma versão sem glúten?
Sim, basta substituir os biscoitos da base por uma versão sem glúten ou criar uma base com farinha de amêndoas e coco.
Conclusão
O Banoffee Amazônico com Creme de Castanha-do-Pará e Doce de Taperebá é uma sobremesa que transcende as fronteiras culinárias, unindo a familiaridade de um clássico com a riqueza e a singularidade dos sabores da Amazônia. Ao seguir este guia detalhado, você não apenas criará um prato delicioso e visualmente atraente, mas também celebrará a diversidade da nossa culinária. Esta receita é um testemunho de que a inovação na cozinha pode ser alcançada com a valorização de ingredientes locais e a aplicação de técnicas precisas, resultando em uma experiência gastronômica sofisticada e memorável. Permita-se desfrutar da arte de criar e saborear esta sobremesa única.
Aviso de Responsabilidade: As informações nutricionais sobre os ingredientes são para fins educativos e não substituem o aconselhamento de um profissional de saúde ou nutricionista.
Por Cristiano José Clementino Proprietário de restaurante desde 1995, com ampla experiência em culinária caseira e preparo de receitas tradicionais.
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